Nº17 - Mai. 2012, 250 ex. }

Texto: Paulo Neto / Imagem: Cris Nogueira

A Evasão de Aquilino Ribeiro do Presídio do Fontelo

Data: 15 de Abril de 1928

"Perdoo tudo! Até mesmo que me roubem, só não perdoo a um homem preso que não se esforce por fugir."

Assim falava Aquilino Ribeiro, em contexto de prisão política.

Andanças do diabo, não era a primeira vez que usava os calabouços estatais. Já a 12/01/08 se evadira da esquadra do Caminho Novo, na sequência do rebentamento de bombas que manufacturava no 4º andar da Rua do Carrião, a 17/11/07. Partida para o 1º exílio.

Vinte anos volvidos participa na frustrada rebelião de 07/02/27, em Lisboa, comandando grupos civis no ataque ao Arsenal. Fuga para Soutosa e 2º exílio – curto – em Paris.

Os tempos não eram de acalmia. E Aquilino não era de meias-tintas. Ei-lo, de novo, na luta. A 20/07/28, na sequência da eleição de Carmona, é preso em Contenças, Mangualde, quando se preparava para evitar o premeditado descarrilamento do comboio que levava para Lisboa os 300 revoltosos dos "Caçadores 10 de Pinhel", comandados pelo capitão Brandão. (...)


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Memória Descritiva

"A Fuga de Aquilino Ribeiro do Presídio do Fontelo" apareceu na minha vida por um acaso feliz. Procurava na altura, um tema para uma peça artística sobre a história da cidade de Viseu para o Museu do Falso. Visitei o Solar do Vinho do Dão com a Dra. Graça, que me falou neste episódio, que de imediato despoletou a minha curiosidade. Após alguma investigação na internet, criei a base que tornou possível este convite à criação da imagem.

A forma como se desenrolou a fuga do presídio é uma história muito peculiar, no meio de uma confraternização de amigos que ouviam música de uma grafonola e serravam o sobrado, a imagem surgiu-me como uma manta de retalhos. Por um lado a ambiência artística – a literatura e a música – por outro, a planificação perfeita do acto, a cumplicidade de amigos leais e acima de tudo a coragem deste personagem maior, Aquilino Ribeiro.


Técnica

A imagem foi elaborada a partir da recolha de elementos que se consideraram inspiradores para o tema e tiveram origens distintas: o chão é uma fotografia do soalho do bar Lugar do Capitão; a grafonola foi gentilmente cedida para ser fotografada pela família Alves, as grades surgiram numa sombra de uma janela do Museu Grão Vasco e o livro "A Via Sinuosa" fez parte da documentação de suporte à investigação consultada que a par de outros, como o delicioso auto de detenção de Aquilino Ribeiro, forma cedidos pelo co-autor deste cromo.

Recorrendo ao programa Photoshop, foi feita o redimensionamento e colagem das imagens, simulado o recorte do soalho com camadas de madeira serrada e uniformizada a luz ambiente.

A apresentação

Do lado direito encontra-se o cartaz relativo à apresentação deste cromo. Para aceder ao registo de alguns dos momentos que acompanharam a apresentação, por favor veja a nossa página do facebook.

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